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Setembro Amarelo alerta para os riscos do luto não elaborado na saúde mental

Foto do escritor: JP Agenda
JP Agenda
há 1 hora
2 min de leitura

Entenda os sinais de alerta de quando o sofrimento pela perda se transforma em adoecimento psíquico e exige apoio profissional

Homem sentado no sofá, olhos fechados e mãos entrelaçadas, em postura pensativa na sala de estar.

A perda de uma pessoa querida muda totalmente a rotina, a estrutura emocional e o convívio social daqueles que ficam. Durante a campanha do Setembro Amarelo, dedicada à conscientização e prevenção do suicídio, a atenção da sociedade costuma se voltar para quadros de depressão severa. No entanto, especialistas alertam que o processo de luto representa uma das fases de maior vulnerabilidade emocional, podendo se tornar um importante fator de risco quando o sofrimento ultrapassa os limites de adaptação.


O luto é uma resposta natural diante da ruptura de um vínculo significativo. Não se trata de uma doença, mas de um processo exaustivo de adaptação à nova realidade. Sentimentos como tristeza profunda, raiva, culpa e cansaço físico são esperados, mas a linha entre a tristeza natural e o desenvolvimento de quadros como a depressão ou o luto prolongado nem sempre é clara.


"O luto não tem um prazo pré-determinado para acabar, pois cada pessoa reage de forma única à perda. No entanto, quando o sofrimento impede a pessoa de realizar atividades básicas do dia a dia e anula qualquer perspectiva de futuro, precisamos ligar o sinal de alerta", explica a psicóloga do Morada da Paz, Simône Lira.


A especialista em saúde mental e luto aponta que a atenção da família e dos amigos próximos é fundamental para identificar quando o sofrimento da perda exige intervenção profissional. Entre os principais sinais de risco estão:


• Isolamento social extremo: Recusa contínua em manter contato com parentes, amigos e redes de apoio comunitário;

• Negligência com o autocuidado: Dificuldade ou recusa em realizar tarefas diárias, como alimentar-se, cuidar da higiene pessoal ou tomar medicamentos de uso contínuo;

• Fixação ou negação permanente: Dificuldade em aceitar a realidade da perda ou pensamentos obsessivos em torno do ocorrido;

• Uso nocivo de substâncias: Aumento repentino no consumo de álcool, calmantes ou outras substâncias como forma de amortecer a dor;

• Expressões de desesperança: Verbalizações frequentes de desânimo com a vida, pensamentos explícitos de morte ou o desejo de "ir embora junto".


"Muitas vezes, a pessoa em luto profundo não pede ajuda porque não tem forças ou por achar que sua dor é um fardo para os outros. É aí que a rede de apoio composta por familiares, vizinhos e amigos faz toda a diferença para acolher sem julgar", destaca a psicóloga.


Para apoiar alguém que enfrenta um luto complexo, a recomendação é evitar frases prontas que minimizem a dor, como "você precisa ser forte" ou "a vida segue". Em vez disso, a presença prática e a escuta empática são mais eficazes.


"Ajudar em tarefas simples da rotina, garantir que a pessoa esteja se alimentando e colocar-se à disposição para ouvir são atitudes essenciais. Além disso, ao notar que a dor permanece paralisante, incentivar a busca por psicoterapia é o passo mais seguro para evitar complicações de saúde mental", orienta a psicóloga do Morada da Paz.


Em momentos de crise emocional ou necessidade de escuta sigilosa e gratuita, a população de todo o país pode recorrer ao Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br, além de buscar atendimento nos postos de saúde e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município.

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